CAPÍTULO 01 Á 04
DEDICATÓRIA
Á todas aquelas pessoas que fizeram parte da minha vida, e, que de alguma forma, compartilharam meus sonhos.
Às vezes, o que mais precisamos é de um empurrão
De um sorriso que acredita
Na expressão de confiança.
Às vezes, precisamos de alguém ao nosso lado
Um ombro á molhar
E alguém que nos espere.
Às vezes, não contemos as lágrimas
Choramos por besteiras
Sejam elas tristes ou não.
Às vezes só queremos fechar os olhos
Para não ver o que nos espera
E muito menos o que nos rodeia.
Às vezes, o que mais precisamos é estar sozinhos
À sombra de uma árvore
Pensando no passado e sonhando com o futuro.
Às vezes, precisamos de um beijo
Um abraço, uma mão-dada
Não importa. Precisamos de um carinho.
Às vezes, queremos fugir
Esquecer quem somos
E o que fizemos.
Às vezes, só queremos companhia
Somos alguém procurando um outro alguém!!!
E achamos este alguém em um amigo.
PRÓLOGO
Era uma vez quatro meninas, quatro meninas bem diferentes umas das outras, porém, amigas. A palavra amigas parecia não descrever bem o que eram uma da outra. Não sabiam onde começava uma delas e acabava a outra. Sentiam as perdas e conquistas na mesma intensidade, choravam e riam umas pelas outras. Para elas, família não estava nos laços de sangue, mas sim nos do coração.
Renata era loira, com cabelos ondulados no estilo surfista e olhos azuis ( dar uma característica ). Era uma menina bonita, tanto por dentro quanto por fora. Mesmo sendo nova, era velha de espírito. A separação de seus pais fez com que ela amadurecesse muito cedo. Apesar do seu jeito moleca, era a mãezona entre elas, sempre dando conselhos e se preocupando. Inteligente, e mesmo com as futilidades de toda adolescente, era estudiosa e se preocupava com o futuro.
Amanda e Renata nasceram praticamente juntas. Eram amigas de infância, daquelas que consideram a mãe da outra sua própria mãe. Pequenininha, parecia uma boneca de porcelana. Era uma menina muito ligada à sua família, principalmente à sua mãe. Tinha orgulho de ser judia e fazia questão que todos soubessem disso. Depois de muitos pés na bunda, hoje namorava um menino que era apaixonado por ela.
Joanna tinha cabelos castanhos, mas vivia passando todo tipo de coisa neles para tentar clareá-los. Se apaixonava e desapaixonava como quem troca de roupa. Começou a trabalhar para passar o menos tempo possível em casa, discutindo seu futuro com seus pais. Eram muito rígidos quanto a isso, e não aceitavam a decisão da filha de não fazer faculdade. Seu irmão, melhor amigo do irmão de Renata, era o único que apoiava sua decisão. Seu futuro não era certo, mas ela podia contar com a energia dos astros, e iria lutar com unhas e dentes para alcançar seu sonho.
Stefanie era a esquentadinha entre as meninas, não levava desaforo para casa. Era o sonho de consumo de todo menino, e ela sabia aproveitar isso a seu favor. Só tomou juízo nos estudos as vésperas do vestibular, mas também se tornou mais confusa que nunca, quando dois meninos a conquistaram e partiram seu coração.
A High School era uma escola de tradição americana, com tudo que as escolas americanas tem direito: jornal, baile de formatura, líderes de torcida, time de basquete... Até a carga horária era igual, o que fazia de suas vidas um pouco diferente da dos demais.
Amandinha era editora do jornal, o Target; Re era chefe das líderes de torcida; Jô era a melhor jogadora de vôlei que a High School já teve; e Teka participava do grupo de teatro.
A primeira segunda-feira de maio amanheceu ensolarada, mas o tempo começava a esfriar. O sol já estava a meio caminho do seu ponto máximo quando o “quarteto fantástico” se encontrou na porta do colégio.
- Bom diaaa!!! - disse a menina loira guardando as chaves do carro na bolsa Prada- E ai meninas? Como foram de final de semana? Quero saber de todas as fofocas, já que passei o sábado e domingo com o Vitor e não vi vocês....
- Ihhh... Pra ela estar assim toda falante, aposto que ela está com sono. O que você ficou fazendo durante a noite, enh?!?!– comentou Man para as meninas e se voltando para a amiga que a olhava com a cara de mais inocente do mundo, – Bom dia Re.
- Vocês não vão acreditar como foi o meu sábado...
- Olha ai as fofocas...
- Começou! Fala Teka.
- Fui na inauguração daquela balada, como é mesmo o nome? (Aff...) Não importa... Não, não, não... - piscando os olhos de cílios com rímel incolor furiosamente, ela apressou-se em dizer - Vocês não sabem com quem eu fui para lá?!?!
As meninas entreolharam-se já esperando para ouvir qual seria o absurdo mais recente de Teka, mas antes que alguém pudesse arriscar, Rafa, namorado de Man, chegou com seus cachos caindo sobre os olhos altamente fofos, assim como inoportunos.
- Bom dia meninas! Tudo bom?
- Oi Rafa.
- Bom dia.
- Tudo e você?
- Oi amo... - Ele já lhe lascara um beijo na boca.
- Bom, depois eu conto quem eu encontrei... – disse Teka impaciente indo em direção ao portão de entrada, batendo seus saltos, falando com ninguém em particular.
Os cinco foram entrando pelos coloridos corredores e como de costume, todos os olhares se dirigiram para o grupinho mais cool da cidade. Nascidas nas famílias tradicionais da cidade, as quatro garotas eram o tópico de fofocas preferido de todos, e não só entre aquelas paredes; eram sempre elas que eram chamadas para as festas mais legais, com as pessoas mais famosas; eram elas que ganhavam roupas das lojas mais exclusivas; eram elas que todos queriam como namoradas e quem todas as outras meras mortais gostariam de ser. Mas mais que isso, o que as tornavam irresistivelmente interessantes, era o fato de não darem a mínima para tudo aquilo.
Pararam em frente a seus respectivos armários, e começaram sua seção diária de preparação. Por fora, eram idênticos, mas era por dentro que havia toda diferença: Teka estacionava - para não usar termo melhor - em frente ao espelhinho colado na aba de dentro da porta e dedicava os cinco primeiros minutos a ficar se olhando ali - o que ninguém sabia, era que na verdade ela ficava espiando os caras gatos que passavam pelo corredor olharem descaradamente para sua bunda -, depois, entre uma pilha de papeis amassados, ela pegava o roteiro de sua peça, dava a última retocada no cabelo perfeito e naturalmente liso que era o sonho de qualquer menina que ficava dez horas seguidas no cabeleireiro, batia a porta branca com força e se encostava ali, como quem não quer nada, com cara de entediada, para apreciar o movimento ("a oferta", como lhe dissera Re, há algum tempo atrás). O que Amanda fazia assim que destrancava seu armário verde, era dar um beijo em seu colar com a Estrela de Davi que ficava pendurado na porta e depois, só ler sua tabela de tarefas colada ao fundo: continha tudo o que ela teria de fazer no dia, desde as matérias que teriam de ser revisadas para o jornal, até a hora que deveria chegar à casa de seu namorado para o jantar (" Ei Amandinha, disse Jô um dia desses apontando por cima da cabeça da amiga para uma quarta-feira qualquer em seu horário, você não se esqueceu de marcar a hora de cagar hoje, não?!" Amanda fechou a porta tão violentamente que prendeu o dedo de Jô, mas assim que a amiga gritou de dor, ela começou a abraçá-la e dizer " Ai amiga, desculpa, desculpa, desculpa". Nenhuma delas jamais conseguira deixar Man brava por mais de um minuto). Jô era a que menos se demorava; ela não dava muito importância para sua aparência, a não ser para os cabelos, que a cada dia que passava ficava mais claro devido as luzes que fazia sozinha em sua casa; ela pegou sua revista de horóscopo e leu a previsão de seu signo para o dia; deu um tapinha carinhoso no seu Santo Antonio que estava de ponta cabeça amarrado num cadarço (uma simpatia para arranjar namorado), pegou uma barrinha integral de cereal, e fechou a porta vermelha do seu armário. Renata era a que mais tinha coisas guardadas dentro do seu armário roxo; antes de abri-lo, amarrava o cabelo numa espécie de coque mal feito em cima da cabeça; havia um diversidade absurda de chocolates ali, e naquela manhã ela optou por Língua de Gato da Kopenhagen; ela remexeu entre os muitos convites de festas que recebia, á procura de seu acessório indispensável: o pom-pom vermelho de líder de torcida; ela fechou o armário mas não sem antes dar uma olhadinha em uma foto em particular entre as milhares que cobriam o interior do seu armário: um par de olhos verdes a encarava, Vitor!
- Qual a primeira aula hoje?
Subiram as escadas em direção ao ginásio, tagarelando sobre qualquer coisa. Teka não se arriscou a trazer o assunto de mais cedo a tona, com medo de que as fofoqueiras de plantão da escola pudessem ouvi-la. Entraram no vestiário, a última porta á esquerda do corredor, e foram trocar suas roupas de marca pelos uniformes de educação física. Elas saíram junto com as outras meninas, e antes que chegassem a porta do ginásio, os garotos já haviam se juntaram á elas.
Nenhuma deles ficou surpresoa ao ver que seria novamente o mesmo jogo da aula anterior. Com a final do campeonato de vôlei se aproximando, o professor Franco decidiu que era bom para seus alunos que entendessem como o jogo funcionava, e quão difícil poderia ser, para que todos dessem mais valor ao desempenho das jogadoras do time, do que a seus shortinhos apertados.
- Bia - um grito veio do meio da quadra - dá pra senhorita terminar de roer as unhas depois e prestar atenção no jogo? Olha pra BOLA! – os olhares de todo o ginásio acompanharam a dona da voz, que agora gesticulava os braços desenhando uma bola no ar.
- Teka, pega leve!
- Pega leve o escambau! Se ela quer fazer as unhas, que vá á uma manicure, e não fica fazendo isso durante o jogo. – e virando-se para Rê – Eu vou bater nessa menina. - sibilou entre os dentes.
Rê apenas riu.
Passadas uma hora e meia de tortura e mais gritos histéricos de Teka com Bia, elas finalmente conseguiram arrastar Teka de volta ao vestiário ainda bufando de raiva.
- Juro, tem uma hora que não tem mais graça, sabia?! – reclamava Amandinha com o rosto muito vermelho do esforço, enquanto a queridinha do vôlei ria e nem descabelada estava. – Como você consegue treinar todos os dias, trabalhar, estudar para as provas e ainda ter ânimo para sair? Você não descansa não?
- Quando eu morrer eu descanso.
- Não esquenta não Man, pelo menos você sabe que “ agora “ não se escreve com h e separado!
- Ué, uma pessoa não pode se confundir? – Jô ia tirando a roupa e se encaminhando para o chuveiro - Como se nenhuma de vocês tivesse se confundido com uma palavra. - ela disse como se isso fosse fazer tal coisa desaparecer.
- Não com uma coisa dessas! – soltou Rê, acompanhando a amiga ao chuveiro.
- Se aquela Bia não tivesse ficado lá criando raiz na quadra, nos poderíamos ter ganho o jogo.
- Ta, ta, ta, Teka... Relaxa e vamos tomar uma ducha de água fria antes da aula. Só por precaução – Jô já empurrava a amiga pelos ombros para dentro do chuveiro.
O banho não demorou muito. Passaram seus cremes corporais, arrumaram os cabelos e se vestiram em um tempo record de 45 minutos.
- Ei, - disse Rê pegando o fichário que Teka ia esquecendo enquanto se dirigia para a porta – onde é que você conseguiu o trabalho de História?
- Pedi com jeitinho e o Gabriel fez pra mim.
- É... Eu sei muito bem que jeitinho é esse. Você não presta.
Teka deu uma piscadinha.
Na hora do almoço, Teka não conseguiu conter-se por mais tempo e finalmente conseguiu dizer quem foi que ela havia encontrado na balada. Pegaram suas bandejas e como de costume sentaram-se na mesa bem ao centro do refeitório. Mal conseguiram acomodar-se, e ela já despejou:
- O Dudu, encontrei o Dudu! Meninas, ele estava um gato com aquela camisa pólo! E que pegada que ele tem, vocês não imag...
- Teka! Pára tudo! Que história é essa? E o Deco? Você saiu com ele na semana passada! Você enlouqueceu? Os dois estudam aqui, isso não pode dar certo! NÃO PODE! Você sabe que eu não tenho nada contra você ficar com vários ao mesmo tempo, como todas nós sempre fizemos, mas calma lá... Os caras são amigos, não preciso falar pra você que isso não vai acabar bem... Você tem que se decidir! Você tem que acabar com isso logo, depois não me venha chorar as pitangas porque eu vou te falar “Eu te avisa, não avisei?”. – Sem perceber Re já estava de pé, com uma das mãos apoiada sobre a mesa e a outra apontada para o rosto de Teka. Dando-se conta de seu ato, olhou para os lados, se sentou e começou a comer um chocolate imediatamente, em um gesto de tentar se conter. Teka parecia que iria lançar chamas pelos olhos.
- Bom, realmente se você continuar gritando desse jeito eles vão acabar descobrindo. – Respirou e acalmando-se, continuou – E outra coisa, não posso me decidir ainda, gosto dos dois!
- Como você gosta dos dois? Você gosta...
- Gostando, ué?! – Teka não conseguia encontrar uma maneira de explicar para as amigas o fato de gostar de dois meninos ao mesmo tempo. Elas sempre curtiam vários caras, achavam vários gostosos, mas pela primeira vez, ela sentia algo mais por aqueles dois. Eles não eram apenas mais duas figurinhas novas pra completar o álbum. Tinha algo a mais ali. Aliás, nem ela mesma entendia, porque nunca gostara de ninguém. Lógico que gostou de alguns caras, mas era diferente. Antes deles, ela só se interessava até conseguir beijá-los, depois perdia a graça. Mas agora, vez ou outra, se pegava pensando nos dois. Será que isso é normal, pensava ela. Mas antes que conseguisse dizer mais alguma coisa sobre o assunto, ela foi interrompida por Rafa, que se sentou á mesa ao lado da namorada e começou a comer. As meninas, exceto Amanda, se entreolharam pela segunda vez no dia pelo mesmo motivo. Teka fez uma cara enjoada do tipo “ ele não tem amigos? “, e continuou a comer perdida em pensamentos.
Ao final do dia, se separaram. Jô tinha reunião com seu treinador; Teka, ensaio do teatro; Amanda tinha que terminar a edição da semana do jornal; e Re tinha que ir resolver o novo modelo dos uniformes das líderes para que ficassem prontos antes do último jogo da temporada.
- Vamos ao cinema depois da aula? A gente aproveita e deixa a Jô no shopping. Que horas você entra?
- Cinco!
- Combinado. Quatro e meia aqui fora. – disse Rê.
- Tchau!
- Tchau amigas!
Jô e Man subiram as escadas discutindo a mais nova técnica para clarear os cabelos que Jô havia lido na revista da mãe esses dias em casa. Mal tinham se despedido, e o celular de Teka apitou. Mensagem.
- Um dos dois? – perguntou Re acompanhando a amiga até metade do caminho, enquanto ela estava concentrada respondendo a mensagem. Mas pelo sorrisinho que dera Re teve a certeza de que não era.
CAPÍTULO 02
As quatro meninas andaram em direção ao estacionamento. Ao chegarem no ESCOLHER CARRO DA RE , ela mandou que Teka fosse na frente. Re mal esperou as outras amigas abrirem as portas para dar a partida e foi logo despejando em cima da sua amiga:
- Té, tive uma idéia para descobrir quem é o cara certo para você... De quem você gosta, se realmente estiver gostando de algum deles.
- Vai começar tudo de novo. – Man não se conteve: já não tinha mais paciência para esse assunto, ainda mais quando se tratava de Rê falando sobre ele. – Amiga, desiste... Liga o rádio Teka, por favor.
- Muito obrigada pelo apoio Amanda. – e voltando-se para Teka – De verdade, você quer ouvir a minha teoria ou não?
Teka assentiu com a cabeça, pois sabia que não haveria escapatória. Jô estava com o rosto para fora da janela aproveitando os últimos raios de sol, apreciando o efeito das últimas luzes que fizera.
- É o seguinte, eu vou te perguntando umas coisas e você responde para você mesma, ok? Ninguém precisa saber qual foi sua resposta.
Teka concordou de novo com a cabeça. Man agora cantarolava baixinho a música tocada na rádio.
- Quando você fica feliz por qualquer coisa que seja, para qual deles você pensa em contar?
No mesmo segundo, Jô e Man olharam uma para a outra, depois para Rê e começaram a prestar atenção. Teka começou a ficar pensativa.
- De quem a visita nunca te incomoda? Ou as ligações?
“ Da onde foi que ela tirou isso?”, se perguntou Man.
- Adoro essa música. Alguém sabe...
- Jô.. shiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
- Quem sempre te faz rir e você sempre se sente bem quando estão juntos?
Teka agora fazia cara de dúvida, dor, concentração... Não se sabia ao certo.
- Entendeu o que estou querendo dizer? – essa foi a última pergunta de Rê antes de chegarem ao estacionamento do shopping.
Jô trabalhava em uma loja de roupas. As meninas a acompanharam até lá antes de subirem para o cinema.
- Depois passamos aqui e te trazemos um sunday, ta?
- Tudo bem, bom filme para vocês. – Jô se despediu com um sorriso, mas sentia uma vontade louca de não ter que trabalhar. Iria passar cinco horas atendendo meninas mimadas e histéricas que choravam ao descobrir que não era mais 36 e sim 38. Ela não agüentava mais essa vida. Era exaustiva e não lhe sobrava muito tempo para treinar e mesmo não querendo entrar em uma faculdade, tinha que estudar, pois nunca fora um exemplo de aluna. Seus pensamentos foram interrompidos quando um cliente entrou na loja. Aliás, que cliente. Um moreno alto de olhar doce vinha de mãos dadas com uma garotinha de uns doze anos. Foi amor a primeira vista. Ele parou e ficou encarando. Ela sabia o que fazer:
- Oi! Posso ajudar?
Enquanto isso, Man, Rê e Teka iam em direção ao cinema. Como sempre, iam tomando sundays com muita cobertura ( o da Rê de chocolate ) e olhando as vitrines. Vez ou outra, entravam em alguma loja quando viam algo de interessante, e Teka não resistindo á um anel de ouro branco, entrou na joalheria e o comprou. Subiram a escada rolante, dando a volta em um quiosque que vendia óculos de sol e passaram em frente a uma livraria. Man e Teka sentindo que Re não as acompanhava mais deram meia volta e puxaram a amiga pelas mão, afastando-a o mais rápido possível da maior tentação de sua vida: os livros. Ao chegarem à bilheteria, uma fila imensa as esperava.
- Bom, pelo menos temos tempo de escolher o filme! – constatou Amanda. Rê a olhou com uma cara típica de Renata.
- Você é muito positiva para o meu gosto.
- Vamos ver aquele com o Brad Pitt, como é mesmo o nome... – apertando os olhos, Teka procurava entre o letreiro o nome do filme.
- Já saiu de cartaz. – Rê olhava os horários enquanto dava a última colherada do seu sunday tentando resgatar o que sobrara de calda no fundo do copinho e estava toda suja de chocolate.
- É impressionante como toda vez você tem a capacidade de se sujar inteira!
Rê deu de ombros.
- Eu proponho que a gente assista uma comédia.
- Boa Amandinha! Se fosse a Jô tenho certeza que ela iria escolher o filme pela “buniteza” do ator principal. – as meninas caíram na risada.
Ingressos comprados e muita pipoca e refrigerante, entraram na sala. Por sorte, conseguiram um bom lugar. Amanda pegou seu celular para desligá-lo e viu que Rafa havia mandado oito mensagens para ela. Quando as mostrou para Rê, ela tornou a fazer aquela sua cara típica. Quando as luzes se apagaram e o trailer começou, foi que Renata viu...
- Não acredito! – sussurrou ela.
- O que? – indagaram as outras duas juntas.
- Olha quem está ali na frente!?
- Quem? Onde? Ah...
Lucas era a pessoa de quem Renata menos gostava no mundo, - esse sentimento era recíproco - e esse fato não era novidade para suas amigas. Luke, como era chamado pelos amigos do basquete, era capitão do time e andava pelos corredores do colégio como se fosse o dono do lugar. Para a infelicidade dela, Lucas estudara na mesma escola que ela desde quando mostrar a língua era a maior ofensa do mundo. Certa vez, quando ainda estavam nos primeiros anos de escola, Lucas abaixara a saia de Renata na frente de toda a classe. Ela chorou e disse que nunca mais iria voltar ao colégio, porém, depois de se acalmar, o que foi rápido até para uma criança de seis anos, Renata voltou para a sala e sentou em seu lugar. Enquanto a professora escrevia distraidamente na lousa, ela se levantou o mais silenciosamente que pode, foi até onde Lucas se sentava, e sem que ele percebesse, ela sacou a tesoura das costas e cortou um tufo de cabelo dele. Lucas fora chamado de Raspadinho ( pensar em outro apelido ) até os dez anos de idade. Ele nunca a perdoaria por isso. O tempo passou, os dois cresceram, e daquele garotinho baixinho e gordinho que era Lucas se transformara em um dos meninos mais bonitos do colégio, ficara alto, com seus olhos verdes, os cabelos castanhos bagunçados e o corpo musculoso resultado de anos de basquete, tornando-o mais insuportável do que antes e incrivelmente metido. Porém as provocações só pioraram. Nunca perdiam uma oportunidade de constranger e irritar um ao outro.
Ele olhou para ela, deu um sorrisinho e se voltou para frente para cochichar algo com seu amigo e companheiro de time, Dias.
Rê ficou pasma, abriu a boca para falar alguma coisa, mas o filme havia começado. Emburrada, se jogou no encosto da poltrona, pegou um pouco de pipoca e começou a assistir ao filme. Cogitou por breve instantes se deveria arremessar seu copo de Coca na cabeça dele. Não demorou muito, ela percebeu que ele estava virado para trás, encarando-a. Quando reparou que ela o olhava, tratou de se virar logo para frente. “ Ele tem problema?”, irritou-se ela.
CAPÍTULO 03
Uma semana havia passado, e Pedro, o cliente bonitão com a irmãzinha, ia todo dia à loja onde Jô trabalhava com o pretexto de ir comprar roupas para a irmã, a mãe, prima, tia, enfim. Na sexta-feira, a chamou para sair. Ela fez seu charme, e aceitou. Iriam se encontrar mais á noite para ir a algum bar.
Estava toda ansiosa, pois fazia tempo que esperava por aquele convite, por isso, o drama do “ não sei se caso ou compro uma bicicleta “ começou. Seu irmão entrou no quarto segurando uma latinha de cerveja, lhe deu uma bronca e em meia hora fez com que ela ficasse pronta: calça jeans, rasteirinha e blusa tomara-que-caia. “Você vai sair desse jeito de casa? Minha filha, coloca aquele salto fino que a mamãe... Tchau, mãe.“
Ás onze em ponto, Pedro a estava esperando na porta do prédio, dentro de um carro esporte. Tocava Cecília e Rodolfo quando ela entrou no carro, e aquilo foi o bastante para saber que ele era o cara da vida dela.
No caminho de volta, Jô veio pensando o que faria para ganhar um beijo dele. “Cara, como assim? Como dizem as meninas, ‘ eu não zero nem em missa ‘, e não vou dar pelo menos um beijinho no cara?“
Pedro estacionou o carro embaixo do prédio de Jô e desligou o carro. Por um estante, aquele desagradável silêncio constrangedor surgiu entre eles.
- Bom, acho que é isso... – disse Jô, mas não fez menção em sair do carro.
Pedro a olhos pelo canto de olho.
Essa era sua deixa. Jô tirou o cinto de segurança e pulou no colo do menino.
Amanda estava com um sério problema. Ao assistir um filme durante a tarde sobre um casal de namorados onde o ator principal sufoca a namorada, ela teve um estalo. Pensou nas oito mensagens que recebera antes do filme começar e viu que Rafa era exatamente o menino do filme. Sempre ligando, sempre por perto. Ele se tornara presente demais, e só agora começava a reparar que os comentários de suas amigas sobre ele que tanto haviam a irritado antes, começaram a fazer sentido. Precisava conversar com ele, mas o conhecendo como conhecia, sabia que não havia como dizer o que precisava sem que ele não se magoasse. Mas como nunca foi muito boa em adiar coisas desagradáveis, ligou para ele assim que as meninas a deixaram em casa e pediu para ele dar uma passadinha lá quando pudesse. Ele ter aparecido em sua porta em menos de meia hora, diferente de antigamente, não causou surpresa nem contentamento: só foi mais uma prova de que o que havia descoberto durante o cinema era verdade e que a conversa que tinha pela frente era realmente necessária. A campanhinha soou pela segunda vez assim que ela abriu a porta.
- Nossa, que rápido!
- O que foi, aconteceu alguma coisa? – e foi logo abraçando Amanda.
Se desvencilhou delicadamente dele, e pediu que sentasse no sofá.
- Hum... Acho que precisamos conversar.
- Sobre o que?
- Você sabe o quanto eu o amo e que é muito importante para mim, não sabe?!
- Você vai terminar comigo? – ele entrara em pânico. Uma pontinha de arrependimento passou pela sua cabeça, mas não forte o suficiente para desistir do que tinha que fazer.
- Não, mas me deixe falar e tente entender o meu lado, ok? – ela tomou fôlego e começou a falar olhando para as mãos no colo com um tom de voz que se usa com uma pessoa no leito de morte - Você está ultrapassando todos os limites de uma convivência saudável entre nós. Eu percebi que não tenho mais tempo comigo mesma, sabe, para ficar sozinha. Você não me deixa ficar sozinha. – Você quer que eu te deixe? - Aonde quer que eu vá você vai comigo, eu não tenho mais tempo para minhas amigas, sabe, você não tem idéia do que dói me dói falar para elas quando me ligam precisando de mim que eu não posso ir vê-las porque nós estamos fazendo alguma coisa. E sempre que estamos conversando você aparece e atrapalha, como no dia em que estávamos almoçando e você interrompeu a Teka pela segunda vez naquele dia, não que você faça isso de propósito, eu sei que não faz. Mas você fica bravo porque eu vou com a minha família na sinagoga ao invés de sair com você! Sabe, eu só queria que você entendesse que eu preciso de um pouco de espaço para mim! Quero continuar a fazer tudo com você, mas preciso de um tempo para mim e para as meninas também.
Ela enfim parou de encarar o colo e levantou o rosto para olhá-lo nos olhos.
- Amor?
Rafa não tinha mais expressão, mas não tardou a responder. Sua voz estava contida no que parecia raiva e tristeza.
- Ok! Você quer mais espaço, eu vou te dar! Só ficava ao seu lado todo o tempo porque pensei que era o que você quisesse. Mas tudo bem, você quer mais espaço para ficar com as suas amiguinhas? Sem problemas. Vou te dar mais espaço. – Levantou-se, - Começando agora! – e pegando seu casaco sem nem ao menos olhar uma vez para a garota que amava, ele escancarou a porta e saiu batendo pé.
Ela acertou em relação que o magoaria, mas não esperava pelas palavras grosseiras. Amanda desatou a chorar.
Teka estava à beira de um colapso nervoso. Dudu e Deco não paravam de mandar mensagens falando que queriam ambos vê-la. Todo aquele papo com Rê no carro só tinha servido para deixá-la mais confusa. Decidira então dar uma última chance para cada um, para tentar por em prática tudo o que Renata a tinha feito pensar. Ligou para Deco e combinou de irem a um bar. Ligou depois para Dudu e marcou de assistirem um filme junto mais tarde na sua casa.
Tomou um banho bem quente para relaxar. Secou seus longos cabelos, passou um rímel nos olhos e vestiu sua blusa da sorte, para lhe dar mais confiança. Enquanto estava no carro, resolveu fazer mentalmente uma lista de prós-contras dos dois.
Teka tinha conhecido André, o Deco, durante uma viagem á praia no ano anterior. Tomando sol na praia, quando o viu passar com a prancha de surf embaixo dos braços teve a certeza de que queria aquele menino para ela. Ela fez que fez, e acabou conhecendo ele (fingir que estava se afogando realmente funcionou tão bem quanto nos filmes). Durante todo o mês ficaram juntos, mas sabia pouca coisa sobre ele. Seu pai morrera quando ainda era pequeno em um acidente de carro, sendo agora ele, a mãe e a irmã mais velha. Rompeu o ligamento do pé há dois anos surfando e passou seis meses sem poder cair na água. Foram os piores meses da vida dele, segundo ele. Costumava ter o cabelo bem curtinho, mas de uns tempos pra cá, deixou que ele crescesse formando cachos que teimavam em cair sobre seus olhos. Ao voltar de férias, Teka pensara que nunca mais o veria, o que não a deixava triste, porque como dizia Joanna, homem era que nem biscoito: vai um, vem dezoito. Mas no primeiro dia de aula, deu de cara com ele no colégio. A partir daí, sempre saiam juntos, mas sem que ninguém soubesse. Teka sabia muito bem como fazer as coisas. Porém aos poucos, ele foi conquistando seu coração. Mais foi ai que o problema começou, pois ela já tinha um casinho com Eduardo.
Dudu (mudar para Duka?) detestava que o chamassem de Eduardo, pois sempre que isso acontecia se lembrava de sua mãe que vivia pegando no seu pé. Filho único de um casal que tentara muito ter filhos e não conseguiam, desde que nasceu Dudu sempre fora paparicado ao estremo, e isso o deixava um tanto quanto irritado. Sua mãe morria de medo de que alguma coisa pudesse fazer mal ao bebê dela. Ele não era um daqueles meninos lindos de morrer, porém era o cara mais charmoso do mundo, e tinha um sorriso perfeito. Teka o conhecera durante uma detenção que tomara por fazer uma menina chorar de tanto que gritara com ela no banheiro por ter falado mal de sua roupa. Ele estava lá pois era a terceira vez na semana que tinha sido expulso da sala de aula por bater boca com o professor de Geografia que insistia em dizer que a Pipeline era na Indonésia e não no Havaí. Descobrira nele um cara muito legal, e passou a ser mais que apenas amiga dele. Mas para sua infelicidade, Dudu e Deco estudavam na mesma sala, o que de certa forma, dificultava mais ainda seus planos de manter seus casos amorosos em segredo.
Oito horas, ela e Deco já estavam no barzinho. Papo vai, papo vem, e ela realmente estava achando que valia a pena ficar com ele. “Ele me faz rir, eu tenho vontade de contar tudo para ele...“. Mas ainda tinha de dar a mesma chance ao Dudu. Ela estava vendo que não seria nada fácil escolher entre eles. Mas porque afinal teria que escolher. A voz de Renata entrara em sua mente sem sua permissão: “Porque eles estão na mesma sala e são amigos”.
Foi dando uma risada e olhando para o lado que ela viu a última pessoa que imaginava ver. Dudu estava parado na entrada do bar, conversando com alguém que ela não podia ver quem era. Ficou branca, gaguejou e disse que precisava ir ao banheiro. Levantou-se e aproveitando que Dudu fora até o bar, ao invés do banheiro, tomou o caminho em direção a porta e sem ninguém perceber, saiu correndo dali.
- Iai, Deco? Beleza? - cumprimentou-o com um toque de mão. – O que você está fazendo aqui sozinho?
- To esperando a Teka voltar do banheiro.
- Como assim?
- Vim com ela para cá. Por quê?
- Pelo simples fato que ela me ligou combinando de assistir um filme mais tarde. Disse que antes ia jantar na avó dela.
Fazia mais de sete meses que Renata e Vitor estavam saindo. Namorando melhor dizer, mas nunca usaram esse termo para explicar o que tinham um com o outro. Combinavam, eram o casal perfeito. Companheiros, amigos, amantes. Rê conhecera Vitor quando estavam com quinze anos. Seu pai veio transferido de Santa Catarina para cá, e ele e a família o acompanharam. Ele era skatista, e tinha patrocínio de diversas empresas durante o circuito de skate. Antes de começarem a sair, se tornaram amigos já que seu irmão, nessa época, cismou em aprender a andar de skate e ela sempre o acompanhava quando ele ia ás pistas. Foi em um desses dias que Renata viu Vitor pela primeira vez. Descobriu que ele estudaria na mesma escola que ela e desde então sempre se falavam. Ela insistia para ele se vestir “que nem gente“. Ele deixou que a amiga cortasse seu cabelo loiro tigelinha e o ajudasse quando fosse comprar roupas novas. Ela ficou feliz, ele também. Suas amigas diziam que aquilo não era só amizade, e ela relutava em aceitar esse fato, até o dia que ele a chamou para ir para Florianópolis em um final de semana onde estaria acontecendo um campeonato de skate. Chegando lá, pareceu que tudo havia mudado e eles se conheceram de novo, se viram com outros olhos, e desde então estavam juntos. No começo do relacionamento, o fato de Rê ter namorado o melhor amigo do irmão dela o incomodava, mas percebeu que agora era ele quem ela amava e isso colocou um ponto final nessa idéia que tanto o tinha incomodado. Eram felizes um com o outro, independente de serem namorados ou fingirem que não eram.
Mas foi naquele final de semana que Vitor apareceu todo cabisbaixo para conversar com sua namorada.
- Gata? – era assim que ele a chamava, já que quando se conheceram, ela não tirava do pescoço um colar de prata com um pingente de gato.
- Oi, Vi.
- Eu tenho que conversar com você sobre umas coisas que andaram acontecendo lá em casa. E talvez você não goste muito do que tenho para te falar.
Rê o olhos de rabo de olho.
- Tudo bem, pode falar.
- A empresa que meu pai trabalha o chamou de volta para a filial de Florianópolis, parece que incorporaram outra empresa á dele, e precisam dele lá para cuidar das coisas, não sei, eu não entendi direito.
- E o que isso quer dizer?
Ele preferia morrer a ter que falar o que aquilo queria dizer. Pegando as mãos dela, ele olhou no fundo dos seus olhos e disse com a maior tristeza do mundo:
- Isso quer dizer que nós teremos que nos mudar de volta para o Sul. Terei de ir junto. Tentei fazer o que pude para ficar, mas você conhece o meu pai, ele nunca permitiria que a família dele ficasse separada.
Rê o abraçou com toda a força que encontrou. Com o rosto em meio a seus cabelos, ele chorou. Ela chorou.
- Vai ficar tudo bem - ela disse. – Nós daremos um jeito. - Mas ambos sabiam que não iria ficar tudo bem.
Oi! Se você me ligou eu não preciso dizer quem é, e se deixou cair na caixa é porque também quer me deixar uma mensagem, então... BEEP.
Rêeeeeeeeeee..... to desesperada... acabei de sair fugida do barzinho! Velho, to ferrada.... se der me liga ainda hoje, se não, sei lá.... a gente se fala no colégio. Não, tenta me ligar antes, é serio... Aconteceu a ÚLTIMA coisa que eu podia imaginar... Você não tem idéia... eu estava no bar com o Deco, ai estávamos conversando numa boa... sei lá... ele estava muuuuuuuuito gato como sempre... enfim, ai você não sabe quem aparec... BEEP.
CAPÍTULO 04
Segunda-feira foi definitivamente um caos. Teka se escondia até nos lugares mais absurdos, como no depósito de material de limpeza para não encontrar nem Deco nem Dudu, pois isso desencadearia a 3ª Guerra Mundial. Quando chegou a hora da aula de Biologia, matéria que os três faziam juntos, Teka fingiu um desmaio no meio do corredor e suas amigas, tentando conter o riso a arrastaram até a enfermaria. Jô não parava de falar, além do que já falava normalmente, sobre sua super conquista do final de semana. Antes de chegar à escola, passara na banca de jornal e comprara mais algumas diversas revistas de horóscopo e testes e passou a manhã inteira revezado entre contar mais sobre o Pedro e fazer testes como “Que tipo de gato ele é?”. Man passou o dia chorosa pelos cantos e sempre que via Rafa pelos corredores, corria para se trancar no banheiro e chorar mais um pouco agarrada ao ursinho de pelúcia que ele lhe dera no último dia dos namorados enquanto ligava para o celular dele só para ouvir sua voz na caixa postal e desligar depois. E Rê não desgrudava de Vitor nem por um segundo sequer, cancelando até o ensaio das líderes de torcida, para poder ficar o máximo possível com ele.
Dia vinte e sete se aproximava, o que significava que o décimo oitavo aniversário de Jô também. Todos na escola esperavam ser convidados, e estavam ansiosos para saber o que faria nesse dia. Não sabia o que seria, mas sabia que teria de ser especial. Ela era a única das meninas que ainda não “tinha virado gente“, como Rê costuma dizer, e esse dia significava liberdade para ela, poderia ir morar sozinha, não teria que aturar as cobranças de filha perfeita (“ Mãe, eu não sou a Sandy, sabia?”, ela gritou em meio a uma crise familiar. “E eu com toda a certeza não sou o Junior!“. “Cala a boca, Jorge!“, disseram ela e sua mãe ao mesmo tempo) e nem fingir ser o que não era para eles poderem impressionar os amigos. Estaria livre então, independente. Moraria sozinha, poderia viver dos jogos e de seu emprego...
- Jowwwww..... temos uma surpresa para você. – começou Teka.
- Na verdade, é o seu presente de aniversário. – Man não se conteve.
- Poxa Amandinha, era surpresa... Mas agora já foi. Bom, lá vai: nós fechamos uma balada para o seu aniversário!
- TOP! Mas e ai, qual o esquema?
- Já está tudo certo. Sua parte é só ir à festa, se divertir e deixar o resto com a gente! – Man estava tentando controlar ela, enquanto dava pulinhos de alegria.
- Uhhhhh... – disse em um gesto de agradecimento, enquanto as quatro agitavam os dedos das mãos juntas.
Na hora do almoço conseguiram colocar as fofocas do final de semana em dia.
- Ai Rê, amiga que triste! O que você vai fazer agora?
- Eu te avisei, não avisei? Agora agüenta, Teka!
- Não acredito que você deu “um mata leão“ no cara, Jô?
- Você passa mal, Amanda! Como é que você fala isso pro menino assim na lata?
Á tarde teve treino de basquete. A final era no sábado, e só tinham mais cinco dias para treinar. As líderes de torcida também não paravam, tinha que sair tudo perfeito. Tinham que ganhar o campeonato, tinha se tornado questão de honra, pois as provocações do outro time excederam ao normal. O pessoal do Porto Seguro ( ou outro colégio ) tinha perdido a compostura.
Rê se despediu das meninas ao final das aulas e subiu para a quadra. No meio da escada deu de cara com Lucas. Não adiantava, os dois simplesmente não se gostavam, para não dizer outra coisa. A idéia de ter sua companhia na subida não era nada agradável, mas não tinha outro caminho a fazer.
- Nossa, você por aqui?
- Boa tarde para você também. – respondeu ela seca.
- Não disse boa tarde.
- Vá se ferrar! - e começou a subir as escadas mais rápido.
- Esnobe.
Rê olhou para trás, e realmente fez cara de esnobe. Continuou subindo, mas assim que terminou a escada, deu um encontrão em Jorge. Lucas passou por eles rindo.
- Você está bem? – perguntou ele a soltando.
- Oi. Estou sim. Desculpa. - A situação era ainda constrangedora, mesmo fazendo meses que pararam de ficar, eles não tiveram tempo para ajustar sua relação para uma amizade normal. Mas ficou pior, pois vinha subindo pela mesma escada Vitor com seus amigos. Rê olhou por cima do ombro e congelou. – Bom, vou indo nessa. E desculpa outra vez.
Depois de se trocar, chamou as meninas e foram para a quadra. Todos os jogadores já estavam se aquecendo, inclusive Lucas. Era fato: Rê era uma das meninas mais bonitas do colégio. Sua entrada atraia todos os olhares. Menos o de Lucas.
A quadra de basquete era profissional, um dos motivos da High School sediar a maioria dos jogos; a arquibancada era vermelha e ocupava todas as laterais do ginásio, e a sua frente, um bom espaço para o banco de reserva do time e para as líderes de torcida. Rê levou-as até lá, pediu que se sentassem e começou a conversar com “suas meninas”.
- Bom garotas, esse é o jogo! Tem que estar tudo perfeito, temos que incentivar a torcida ao máximo. Espero que até lá, todas – lançou um olhar para Marcela, a última a se juntar as líderes – tenham decorado as músicas do nosso time. Os uniformes já estão prontos, Clau? – ela fez que sim com a cabeça – Ótimo! Então agora chega de papo e vamos ao que interessa. Alongando.
De pé e em formação, começaram o ensaio. Aos gritos e músicas, a coreografia ia se aperfeiçoando. Mas de tempo em tempo a bola vinha parar no meio delas, o que de certa forma atrapalhava bastante. Mas tem hora que a paciência esgota e o sangue ferve. Rê estava de costas para a quadra, quando a bola bateu em sua cabeça. Ela fez uma cara de dar medo.
- Agora chega! – disse para as meninas – Isso já virou palhaçada. Vocês têm CERTEZA que sabem jogar basquete? – mas ao se virar deu de encontro com Lucas vindo em sua direção. – Eu sabia!
- Para sua informação, não fui eu que errei o passe. – ele abaixou e pegou a bola - E tem CERTEZA que você sabe animar uma torcida? – deu as costas e saiu andando deixando-a espumando de raiva.
Man estava sentada em frente ao seu computador na sala do Target tomando seu habitual chá gelado, quando o diretor da escola entrou.
- Boa tarde Srta. Zalcman.
- Boa tarde Sr. Gilmore. Posso ajudá-lo?
- Certamente que sim. O baile de formatura será daqui a poucas semanas, e como o pessoal do Depto. Gráfico e Xérox entrou de férias, gostaria que a senhorita cuidasse dos convites. Você tem permissão para escolher os desenhos, cores, formatos. Tudo o que precisar você terá autonomia para tomar decisões. Tenha uma boa tarde. – e antes que cruzasse a porta, acrescentou – Só mais uma coisinha, preciso ver o modelo escolhido antes de mandarmos fazê-los para eu dar minha permissão. - e ajeitando os óculos, saiu.
- Ótimo, tudo o que eu precisava. Mais essa agora. Sempre sobra pra Amanda.
A peça de final de ano estava deixando Teka completamente maluca. Faltando apenas algumas semanas para a apresentação, a tensão nos ensaios aumentava, e a cada erro que ocorria em cena, a Sra. Cuddy parecia que ia ter um colapso nervoso, ficando tão irritada quando corrigia os atores, que seus olhos saltavam das órbitas. Não bastando a confusão que sua vida amorosa se encontrava, Teka não conseguia decorar o ato 6, onde entraria sozinha em cena e faria um monólogo.
- Stefanie, minha querida. Qual é o problema? Entra na bolha, concentra. Não estou pedindo para decorar um monólogo de Shakespeare de dez páginas, são apenas dez linhas.
- Eu sei, Sra. Cuddy, eu não sei o que está acontecendo comigo hoje. – mas ela sabia, só não podia admitir que dois meninos estivessem atrapalhando sua concentração no teatro.
- Você ficará comigo hoje depois do ensaio, para passarmos esse texto novamente. Espero que o resto de suas falas, a senhorita já tenha decorado, não?
- Sim senhora.
- Ótimo. Agora vamos para a próxima cena. Nos dê somente a última frase para que o Bruno possa entrar. – para uma mulher que beirava os setenta anos, a Sra. Cuddy tinha bastante disposição, e quando sua irritação saia do controle, começava a discursar sobre seus anos de teatro, um assunto que mais ninguém conseguia ouvir.
Ao terminar o ensaio, Teka já estava exausta, e tudo o que menos queria era ter que passar mais uma hora com a sua velha professora de teatro enchendo suas cabeças de técnicas malucas, como ( inventar uma ),para decorar seu texto.
- Senhorita Stefanie, pelo o que vejo você está com um problema de concentração, por isso, recomendo que medite um pouco, durma bastante e resolva este impasse amoroso a tempo de decorar seu monólogo. Isso é tudo. Agora pode ir.
Como Teka não se mexeu, ela insistiu:
- Vai minha filha, pode ir. Conversaremos de novo se esse problema insistir em tirar a concentração da minha estrela.
Teka levantou e se dirigiu em direção á porta. Como ela podia saber que o meu problema era com garotos? Às vezes, ela achava que sua professora tinha algum poder fora do comum.
Na quadra de vôlei:
- Vamos, vamos... Não quero moleza, mas cem, faltam só cem. – gritava o treinador das meninas enquanto andava ao redor delas, fiscalizando se faziam os abdominais corretamente.
Dez minutos mais tarde, Jô e suas colegas de time estavam estiradas no chão, mal conseguindo se mexer tal era a dor que sentiam.
- Treinador, por favor, só cinco minutinho de descanso. O senhor vai matar a gente! Tá pensando que a gente é o Cristiano Ronaldo? – Jô estava vermelha como um pimentão a hora que tomou fôlego para falar.
- Vocês acham que na época em que eu era o jogador, eu tinha cinco minutos de descanso? Não senhoritas, não foi descansando que eu me tornei o que sou. – toda vez que suas jogadoras reclamavam sobre os treinos, o Treinador, era assim que gostava de ser chamado, começava a falar da sua época de glórias e como as coisas eram naqueles tempos, e como se tornaram muito moles nos dias de hoje.
- É verdade Treinador, se nós não descansarmos um pouco, não vai sobrar forças para jogarmos no próximo domingo. – Cíntia, levantadora do time, falava de barriga para baixo pressionando o abdômen tentando fazer a dor desaparecer.
- Pode parando com essa conversa fiada. Vocês são mulheres ou ratos? – as duas se entreolharam se enquadrando na segunda opção. – Setecentos abdominais não matam ninguém. Agora, todas de pé. Vão treinar corte, vocês estão horríveis.
Sexta-feira chegou trazendo vibrações positivas, já que segundo Jô, a Lua estava em alinhamento com Saturno, fazendo com que o dia fosse cheio de surpresas agradáveis. Era essa noite que iriam comemorar seu aniversário, a meia-noite, por isso, sempre que tinha uma folga entre as aulas, corria para seu armário para rezar mais um pouco para seus santos. Ela estava nervosa, não sabia o que vestiria, por isso, ao final do dia, Jô ligou no seu trabalho dizendo que estava doente, e foram todas ao shopping para fazer compras. Compraram kit completo: roupa nova, sapato, acessórios. Foram ao cabeleireiro do próprio shopping para economizar tempo, e enquanto faziam as unhas, Amanda começou outra vez a se martirizar:
- Será que ele vai?
- Ele quem?
- Quem você acha? O Rafa, claro. Ai, gente, eu não devia ter falado nada com ele.
- Ele vai sim, Man, relaxa! – Teka estava com a caixa de esmaltes no colo, decidindo de passava Branco Leite ou Branco Leitoso.
- Tomara. – Man falou mais pra ela do que para as amigas. Rê vendo a cara da amiga, falou:
- A depressão é um portal para a sabedoria.
- A Renata, cala a boca!
- Man, lembre-se que os astros estão mandando energias positivas para hoje, vai dar tudo certo. – Jô acreditava tanto nessas coisas místicas, que via nos movimentos dos astros a solução para todos os problemas da humanidade.
- E falando nisso, dona Teka, o que a senhora vai fazer se o Deco e o Dudu apareceram lá hoje?
- Eu te digo o que ela vai fazer, dar um pé na bunda de um dos dois!
- É exatamente isso que eu farei!
Rê não estava preparada para ouvir essa resposta.
- Em qual então? – perguntou ansiosa, derramando o vidro de acetona no chão. – Desculpe.
- Na hora vocês saberão! – ela ainda estava apreensiva sobre a decisão que tomara, mas estava decidida a levá-la até o fim. Depois da conversa com sua professora de teatro, Teka viu que se não resolvesse toda essa história não conseguiria mais se dedicar a nada da sua vida. Passou um bom tempo em seu quarto, com apenas a luz do abajur de sua cabeceira iluminando tudo ao redor. Refletira muito e seguindo a sugestão que Jô sempre dava quando alguém estava estressado, meditou. E se decidiu.
Jô começara a se encolher atrás de sua manicure. Um menino passava na frente da vitrine do cabeleireiro. Espiou através do vidro e continuou andando.
- O que que é isso Joanna?
- Era o Pedro.
- Pedro? O “mata leão” Pedro? – perguntou Teka finalmente se decidindo pelo Branco Leitoso.
- Ele mesmo.
- E porque você estava se escondendo dele? – quis saber Amanda.
- Ah meninas, qual é que é! Figurinha repetida não completa o álbum.
Já eram sete horas quando elas foram embora do shopping. Cada uma foi para sua respectiva casa e se encontrariam as dez horas, um pouco antes do combinado para os convidados e para Jô, na porta da balada para poderem organizar os últimos detalhes para a festa.
Porém, ás dez horas, Amanda, Renata e Vitor já estavam lá, e nada da Teka aparecer.
Teka saiu de casa com um frio na barriga que nunca sentira antes na vida, nem quando tivera que contar para sua mãe que pegara recuperação de Física. A conversa que tiveram pelo telefone havia pouco ainda martelava em sua cabeça. Eu gosto muito de você, mas acho melhor a gente ficar somente amigos. Pausa. Bom, Teka, não posso dizer que eu esteja feliz com isso tudo. Você nos fez de idiotas. E eu fiquei mais puto pelo fato dele ser meu amigo. Mas acho que já pressentia isso. Pausa. Pressentia o que? Que eu.... eu... Pausa. Sim, que a gente não ia passar daquilo que a gente tinha. Não me entenda mal, mas eu te conhecia muito bem e você também me conhecia. Acho que na verdade tinha mais esperança de que eu pudesse mudar do que a gente ter um relacionamento mais sério. Pausa. Você está terminando comigo? Pausa. Hahaha.... não, acho que a gente não tem nada para terminar, mas concordo com você: vamos ser só amigos. Tal conversa a pegou tão desprevenida, que não sabia o que pensar sobre ela, e foi a muito custo que pegou o elevador para sair de casa para levar em frente a decisão que tinha tomado. Dirigindo seu carro com o vidro aberto para tomar um pouco de ar, ela fez o caminho como se estivesse no piloto automático, mesmo sem nunca antes ter ido ao seu destino. Não sabia se o encontraria em casa, e uma parte dela esperava mesmo que ele não estivesse. Ao estacionar na frente do prédio, antes de interfonar e pedir para que descesse, ficou um tempo ainda dentro do carro tomando coragem ou simplesmente esperando algum sinal divino de que ela estaria fazendo a coisa certa. E o sinal veio. Saindo da garagem, ela viu o Audi prata que tanto conhecia. Desceu de seu carro, e antes que o portão se abrisse totalmente, ela parou na frente da garagem e fez sinal para ele descer.
- O que você quer? – disse batendo a porta.
Por um instante Teka pensara que tivesse feito a coisa errada. Mas buscando toda a coragem que ainda pouca havia desaparecido dela, falou:
- Preciso conversar com você. Mesmo não querendo me ouvir, acho de devo uma explicação á você.
Ele não se mexeu.
- Como você deve ter percebido, eu não estava saindo só com você. E não foi a primeira vez que fiz isso com algum menino. Esse é meu jeito, e sempre foi assim. Mas de um tempo para cá, vocês dois mexeram comigo como nenhum outro cara tinha conseguido, e resolvi então sair com ambos. Mas percebi que não era certo isso a partir do momento que eu sabia que estava machucando a mim mesma.
Ele agora havia cruzado os braços.
“Bom, o que eu realmente queria dizer, Teka estava começando a se perder, é que eu gosto muito de você e eu realmente gostaria que você me perdoasse e me desse outra chance.”
- Você está dizendo que quer namorar comigo? – ele descruzara os braços e enfiara as mãos nos bolsos da calça.
- Se você também quiser, sim, é isso que estou dizendo... Eu preciso de você... – ela murmurou.
- Eu também preciso de você. Mas preciso de uma Teka por completo, e não toda dividida. - Por mais que Teka o tivesse machucado e não confiasse mais cem por cento nela, o amor que sentia pela aquela menina ( adjetivo ) era mais forte que tudo isso.
Ela ficara em silêncio por um tempo, mas decidira arriscar.
- Isso é um sim? – agora ela sentia suas pernas tremerem.
Ele a olhos nos olhos e respondeu com um beijo.
Quando Jô, na companhia de seu irmão, chegou à sua festa de aniversário, mal podia acreditar na quantidade de gente que havia lhe esperando. Todo o colégio estava lá. Jorge, como o combinado, levou sua irmã com muito esforço devido a todos os beijos e abraços de parabéns, até o camarote, onde Amanda e Renata já a esperavam. Elas se abraçaram e Man a avisou que o camarote era open bar (“Idéia da Rê.“) e que ela poderia beber todas as caipirinhas e fogo paulista que agüentasse e mais um pouco. Quando Jorge cumprimentou Rê, Vitor tratou de ir logo para o lado dela como que para que ele soubesse que ela tinha dono.
Não demorou muito para que Teka aparecesse com um sorriso de orelha a orelha no camarote.
- Aonde é que você estava? A gente tinha combinado as dez aqui. – despejou Rê, puxando ela para um canto. – E que cara é essa?
- Eu sei. – Teka não podia deixar de sorrir. – Tive que resolver umas coisas. – Rê tinha uma de suas sobrancelhas levantadas. – Tenho uma novidade para vocês.
Andando até onde todos estavam Teka pediu um minuto de atenção:
- Gente, eu tenho uma coisa para contar para vocês. – e fazendo um sinal para alguém que estava lá em baixo na pista subir, disse – Quero que conheçam o Deco, meu namorado!
Rê teria caído do colo de Vitor se não fosse ele para segura-la. Ninguém podia acreditar que Teka finalmente resolvera acabar com toda aquela confusão, e se decidira por alguém.
Deco cumprimentou á todos. Renata olhos para Teka e ela radiante simplesmente deu de ombros.
Quando deu meia-noite, como Amanda já tinha pedido ao Dj, a música parou e ela começou a cantar parabéns seguida por todos os convidados. (“ Gente, como vocês são bregas!“, “Ah Rê, pára com isso e canta junto.“ ). Jô ficou roxa de vergonha, mas adorou a surpresa.
Todos pegaram seus copos de tequila e fizeram um brinde á Jô, virando seus copos juntos.
Resolveram então que era hora de se juntarem a todos lá em baixo na pista de dança. Jô chamou suas amigas em um canto e perguntou á elas o que achavam do cara encostado no bar de camisa xadrez.
- Jô, ele é péssimo amiga. – opinou sinceramente Amanda.
- A beleza está nos olhos de quem vê. – falou Rê.
- Nesse caso e quem não vê, né? – respondeu Teka.
- Ah, calem a boca. Eu vou lá! Meu horóscopo disse que hoje, como é meu aniversário, começa um novo ciclo na minha vida, e que o Sol alinhado com Vênus trará conquistas e que devo aproveitar todas as oportunidades.
Jô saiu para sua próxima vítima deixando suas amigas sozinhas.
Teka caiu na gargalhada.
- Bom, vou falar com o Vitor e subir depois pro camarote, vocês vem?
- Eu vou! Quero aproveitar meu namorado novo!
Ao ouvir sua amiga falando de namorado, o sorriso no rosto de Amanda desapareceu.
- Você vem, Man?
- Não, podem indo, vou ficar aqui mais um pouco. – Ela ficou parada vendo suas amigas desaparecerem no meio da multidão.
Amanda fechou os olhos e apoiou-se no parapeito do camarote. Estava pensando nele, é claro. Sonhou tantas vezes que Rafa a abraçava novamente que só se deu conta que alguém estava segurando seu ombro quando falaram seu nome em voz alta.
- Rafa! – sua voz saio em um sussurro.
- A gente precisa conversar. – pegando a mão dela, Rafa a levou onde pudessem conversar sem tanto barulho. Amanda entrou em pânico, pois algo dizia a ela que aquela conversa não resultaria em nada de bom para ela.
- Escuta, eu vou falar tudo de uma vez, ok? - ela fez que sim com a cabeça. – No dia em que saí da sua casa eu senti tanta raiva de você que desejei nunca mais ter de vê-la novamente. Durante toda essa semana, não consegui entender o que eu realmente estava sentindo, se estava triste, magoado, com raiva... – ele fez uma pausa – Mas vi que o que realmente estava me deixando mal, não era o fato de você ter me falado tudo aquilo, e sim por você estar certa. – Amanda arregalou os olhos – Quando eu terminei com a minha ex-namorada, eu jurei pra mim mesmo que nunca mais deixaria alguém me machucar como ela fez... – Rafa se lembrava exatamente das palavras que Paloma tinha dito á ele quando terminaram, “Você nunca esteve ao meu lado. Então, quando precisei, procurei alguém que estivesse disposto a estar, e foi ai que conheci o Bruno.“ - Mas ai eu conheci você e me apaixonei. Tive medo de que o mesmo acontecesse conosco, não queria cometer os mesmos erros, por isso ficava com você sempre, para que você soubesse que eu estaria ao seu lado quando você precisasse. Mas parece que eu exagerei. Queria te pedir desculpas... e.. é só.
Amanda estava atônita.
- E é só? E quanto a nós?
- Ainda existe “nós”?
- É claro que sim! Você não sabe como me arrependi por ter explodido com você daquele jeito. Também lhe devo desculpas.
- Achei que você não me quisesse mais.
- Você não poderia estar mais enganado. – E naquele momento, Amanda deu graças a deus por nunca ter acertado qualquer pressentimento que tivera.
Lá de cima do camarote, Rê viu a amiga abraçada a Rafa e não podia estar mais feliz por ela. Apontou o casal de amigos para Vitor, Teka e Deco, que também ficaram felizes com a notícia. Pouco depois, Amanda e Rafa se juntaram á eles, e pediram outra rodada de tequila para comemorar. Depois de Rê brindar e virar a sua sexta tequila, deu outra olhada para baixo procurando por Jô para saber se o cara da camisa xadrez era realmente a “oportunidade” a que o seu horóscopo se referia, mas ao invés dela, seu olhos encontraram quem não deveria. Lucas estava as gargalhadas com Dias no meio da pista. Como alguém podia irritar tanto uma pessoa, pensava ela. Decidida a não estragar sua noite, virou o rosto e beijou seu namorado (sim, agora eram namorados).
Nenhum comentário:
Postar um comentário